5.2.07

Coisa

Transparente e firme

em náusea e fogo

como um só jogo

de um só time.


Verdade impura

aguada e pétrea

como a pintura

dispersa e reles


Corpo que a vele

faca que a lime

dorso que a leve

canga que arrime


e a diversão

é contar poeira

como o condão

da cumeeira


Vasto e impreciso

é esse Rio

mudo, conciso

em pleno cio


Aberto o ventre

à faca-pele

qu'ele a despele

sisudo e crente


Depois do tempo

do empoeirado

um retratado

em ornamento


Procura o lote

que lavre a carne

que o desarme

desse culote


o retratado

embuchou a seca

como na terça

de água e meia


Espera o ventre

pelo curtume

onisciente

de dá-lo ao lume


No tempo igual

o Rio secou

como o animal

que urinou


urinado

mais uma vida

à faca e lado

da despedida.


Lucas Tenório

1 Comments:

Blogger Jorge Ramiro said...

Este comentário foi removido pelo autor.

sábado, fevereiro 23, 2013  

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