5.2.07

Ave empalhada

O moto que empalha a ave
o intento que o movimenta
é de corrente rubra e sangrenta
refeito o cabo de uma trave

Estacado com meneios
perfura um vaso linfático
quando se ainda é extático
quando o lograr tem esteios

É quando há revoada
no ninho que está entre os seios
nas batidas ancoradas
põe-se a canga e os arreios

E há o vôo derradeiro
no que houve de mais leve
a pena, o ar, a neve
o flutuar dos isqueiros

Mas antes é ave empalhada
renegada à ataxia
uma outra moradia
no chão deliberada

Mas é antes ave parada
no céu que é de concreto
na abstração de um teto
de uma casa sepultada

Mas é antes pedra-luz
que nos olhos denuncia
um clamor feito a Maria
um pedido ao pai Jesus

Maria estatuada
Jesus crucificado
e o bicho ambicionado
entra em nova revoada

Quando o vôo se completa
da pedra arremessada
ela é denunciada
no estilhaçar da seta

Quando enfim se petrifica
num coração repintado
pelo pó da mesma sílica
numa cruz crucificado

Revoa no horizonte
cada bicho de empalhar
de coração a vagar
pousados numa ponte

E o diamante corta
no traçado da cidade
e a natureza morta
com maior fidelidade

Sobra o pó de um cimento
argamassa dos cassinos
sobra um cão e um menino
nos bichos o esquecimento.

Lucas Tenório

4 Comments:

Anonymous Urariano Mota said...

Passe um olho em 2 textos sobre a Livro 7 em
http://urarianoms.blog.uol.com.br/

quinta-feira, julho 19, 2007  
Blogger Manoel Carlos said...

Eu desconhecia este seu espaço literário, voltarei com calma.

segunda-feira, julho 23, 2007  
Blogger Rita Costa said...

Adorei conhecer seu blog.
É de uma beleza imensa esse poema, parabéns!

quarta-feira, novembro 12, 2008  
Anonymous Anônimo said...

O amigo sumiu, mesmo este espaço não tem sido atualizado. Apareça.
Fraterno abraço
Manoel Carlos

quinta-feira, fevereiro 26, 2009  

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