23.12.05

Lira dos trinta e seis

Temo ter passado da era da assonância
entre o fúnebre e o trago
do jazigo
da abundância.

Teimo pelo estrago
entre utopia e nada
mal acabada
da infância.

Um agora aos trinta e seis
em que a morbidez
remansa

Num copo azedo
de que só bebo
água salgada

Temo que o sol maldito
nunca mais seja escrito
de madrugada.

Lucas Tenório

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