3.1.06

Açougue

Da carne o osso é parte
é parte o sangue frio
na arcaica e escarlate
demão que a coloriu

Em tons do arco-íris
digestivos do sol
que a carne em sua bílis
fulgiu num urinol

Do mesmo barro opaco
que pretendeu lustrar
algo tampouco laico
e por sacralizar,

A urina doce e quente
da terra desposada
a subserviente
costela desossada

Em matiz de placenta.
Depois do incesto lato
na cria empoeirenta
num berço caricato,

Choro de um quase-deus
na dor da pedra manta
que medra o sangue seu
em verbo na garganta.

Lucas Tenório

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