17.3.06

Panorama da Poesia em Pernambuco - Heloísa Arcoverde de Morais

Heloísa Arcoverde de Morais

LUGAR DE POETA É AQUI
ONDE O MAR É UMA MONTANHA....

que na língua dos bárbaros escura
Paranambuco de todos é chamado

Bento Teixeira




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A história da poesia em terras pernambucanas começa, fins do século XVI, com a PROSOPOPÉIA, de Bento Teixeira, poema épico para exaltar o governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Polêmicas à parte sobre o valor literário da obra, a PROSOPOPÉIA, publicada em Lisboa, no ano de 1601, após a morte do autor, consta como sendo o primeiro texto poético escrito no Brasil, entre 1585 e 1594. Foi a época em que o poeta residiu em Olinda.

Todos cantam sua terra....


SÉCULO XVII

Tempos de Nassau

Maurício de Nassau, o Conde, governa Pernambuco holandês entre 1637 e 1644. Ergue palácios, constrói pontes, traz para o Recife artistas e cientistas que perpetuam os tempos flamengos. Nassau permanece no imaginário dos poetas da cidade maurícia.


SÉCULO XVIII

Religiosos, mas nem tanto

Na próspera capitania do açúcar, as atividades literárias não progrediam na mesma proporção das atividades econômicas. Os conventos eram o celeiro cultural e aos frades e padres cabia a primazia das letras.

O Barroco ainda predominava, atingindo alto grau de maneirismo. Aqui em Pernambuco, temos o Frei Jaboatão (Recife, 1695 - 1763/1775) com uma poesia sacra:

Ao menino Deus nascido no Presépio:
Esse que vês, pequenino,
nessas palhas reclinado
do Padre é verbo divino,
por nosso amor humanado

E a poesia satírica e bem humorada como a do Pe. Antônio Gomes Pacheco (Itamaracá 1741):

Pergunta certa Senhora
Sem presumir mal algum,
Se um beijo, na sexta-feira,
Fará quebrar o jejum..


SÉCULO XIX

Revoluções libertárias, novos pretextos poéticos

Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer

Frei Caneca

Sopraram em Pernambuco os ideais da Revolução Francesa de 1789, deflagrados na Revolução de 1817. Sufocada, deixa as sementes da rebeldia que prosperam, de novo, em 1824, com a Confederação do Equador.

O nacionalismo revolucionário, antimonarquista, sobressai nas campanhas jornalísticas do Typhis Pernambucano (1823-1824), dirigido pelo Frei Caneca, sob a égide do Iluminismo.

Frei do Amor Divino Caneca é fuzilado em 1825, no Forte das Cinco Pontas, após a derrota da conjuração. Deixa o sentimento libertário como herança poética.

Na literatura, ainda domina o estilo neoclássico. A poesia de José da Natividade Saldanha (Jaboatão 1795 - Bogotá 1830), poeta revolucionário dessa época, revela o lado patriótico e dilui o estético.

"Ai de mim que sou assim... romântico"

A transição, em Pernambuco, entre o neoclassicismo e a nova estética do Romantismo, surge na poesia de Maciel Monteiro, o barão de Itamaracá. O poeta dos salões nasce no Recife em 1804. Político e diplomata, atua em Lisboa onde morre no ano de 1868. Seus poemas, então esparsos, foram reunidos e publicados em edição póstuma (Recife 1905) por Regueira Costa e Álvares de Carvalho. O soneto FORMOSA contém elementos românticos como a divinização da mulher:

Formosa, qual pincel em tela fina
Debuxar jamais pôde ou nunca ousara;
Formosa, qual jamais desabrochara
Na primavera rosa purpurina

Formosa, qual se a própria mão divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara;
Formosa, qual no céu jamais brilhara
Astro gentil, estrela peregrina

Formosa, qual se a natureza e a sorte,
Dando as mãos em seus dons, em seus lavores
Jamais soube imitar no todo ou parte;

Mulher celeste, oh! anjo de primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!

Maciel Monteiro

O navio é negreiro

Mal de amor não tem remédio. De saudade, tristeza e tuberculose morrem os poetas ultra-românticos.

Meados do século XIX. O céu é do condor. A poesia social dessa última fase romântica se inspira em Victor Hugo. Com 16 anos, em 1864, Castro Alves chega ao Recife para os estudos de Direito. Além dos suspiros pela atriz Eugênia Câmara, o baiano empresta voz e versos à grande causa do abolicionismo. Na mesma época, vem para ficar o sergipano Tobias Barreto. Poetas rivais, Castro Alves e Tobias Barreto agitam o Teatro de Santa Isabel com embates poético-passionais.

Pertence a essa fase condoreira, Vitoriano Palhares (Recife 1840-1890), com um lirismo subjetivo e patriótico, que tem a Guerra do Paraguai como tema.


FINAL DO SÉCULO XIX

Ciência, filosofia e arte

Século dezenove! o bronze do teu vulto
Há de ser venerado, há de se impor ao culto
Dos pósteros, bem como impõe-se à escuridão
Um relâmpago, um raio, um brilho, uma explosão!

Martins Júnior (Visões de Hoje)

Em torno de 1870, desembarcaram no Recife as influências do realismo europeu, embora românticos versos inspirassem ainda (e sempre) as vocações poéticas, tênues que são os limites de um movimento literário a outro. A vida intelectual da cidade é intensa. A Faculdade de Direito é o grande centro de formação de bacharéis, vindos de todo o Nordeste. Aglutinava professores e estudantes em torno das causas abolicionistas e republicanas, com destaque para os sergipanos Sílvio Romero e Tobias Barreto que nela viriam a ensinar.

A Escola do Recife

Após a fase condoreira (1867-1870), a poesia romântica de Tobias Barreto cede espaço à oratória e à prosa científica. Será a figura central da escola que o crítico literário Sílvio Romero, um dos seus seguidores, denominará Escola do Recife, sob a égide da filosofia alemã. Irradiará a nova ordem no meio cultural do Recife com base no positivismo e no evolucionismo.

Martins Júnior (Recife 1860 - Rio 1904) assumirá o tom realista na sua poesia científica: Lateja-me, no crânio, o cérebro e, no peito, // lateja-me, fervente, o coração. Termos científicos que, no início do século XX, o paraibano Augusto dos Anjos (PB 1884-MG 1914), utilizará no seu livro Eu.. Morou no Recife e poetizou a Ponte Buarque de Macedo.

A virada do século

O ideal da impessoalidade que se contrapõe ao Romantismo e o culto pela forma ditam o verso parnasiano. A estética da arte pela arte, assimilada dos franceses Theóphile Gautier e Leconte de Lisle, atravessa os primeiros vinte anos do novo século.

O poeta pernambucano Medeiros e Albuquerque inaugura o Simbolismo no Brasil, antes de Cruz e Souza, ao lançar Pecados, em 1889.

Parnasianos do fim do século e os neoparnasianos, seus sucessores, cultuarão o gosto pelo soneto, traídos muitas vezes pelos traços românticos e até simbolistas dos temas. Eis o cenário recifense dos poetas que abrangem esse período:

Farias Neves Sobrinho, Gervásio Fioranti e Carlos Porto Carreiro publicavam na Revista Contemporânea, dirigida por França Pereira e no Almanaque de Pernambuco, de Júlio Pires.

A essa geração sucede a da Heliópolis com Teotônio Freire, Manuel Arão, Mariano Lemos, Bastos Tigre. Esdras Farias é o poeta da geração boêmia.

Destacaríamos Olegário Mariano, radicado no Rio de Janeiro e Eugênio Coimbra Júnior, jornalista com produção poética até os anos 70 do século XX.

Estes quatro séculos de panorama poético delineiam o caráter aglutinador e cosmopolita da literatura em Pernambuco, pólo cultural do Nordeste: seus poetas são também, alagoanos, baianos, cearenses, paraibanos...


SÉCULO XX

Fartos do lirismo comedido

Até início dos anos 20, com raras exceções, a produção literária, mais especificamente a poesia, restringia-se ao soneto de forma repetitiva. Evidente que este marasmo seria sacudido pelos ventos transformadores que agitavam as diversas manifestações culturais, em várias partes do mundo, sendo São Paulo, no sul do país, o pólo dessas mudanças que culminaram na Semana da Arte Moderna de 1922.

Com Gilberto Freyre à frente, consolida-se um movimento que direciona a renovação cultural para o Regionalismo em Pernambuco, gerando fatos como o 1º Congresso Regionalista do Nordeste e a conseqüente publicação do Manifesto Regionalista. Por outro lado, polemizando, Joaquim Inojosa divulga as tendências modernistas na cidade, à semelhança de São Paulo.

Quanto à renovação da poesia, cuja produção ainda continuava, na sua maior parte, presa ao Romantismo e ao Parnasianismo, coube papel de destaque à Revista do Norte, idealizada por José Maria de Albuquerque e que reunia intelectuais freqüentadores do Café Continental, na Esquina da Lafaiete, centro do Recife.

Dessa década saem poetas como Benedito Monteiro, Vicente do Rego Monteiro (também pintor) e Austro Costa. Mas é a poesia de Ascenso Ferreira, impregnada de sensualidade brejeira, de saudade dos engenhos (seu primeiro livro Catimbó foi lançado pela Revista do Norte), ao lado da obras de Joaquim Cardozo e de Manuel Bandeira, já radicado no Rio de Janeiro, que irão marcar essa época. Trio que instaurou a modernidade entre nós.

Geração 45, o retorno à medida

O lápis , o esquadro, o papel;
O desenho, o projeto, o número:
O engenheiro pensa o mundo justo,
Mundo que nenhum véu encobre

João Cabral de Melo Neto (O engenheiro)

É a geração que, em várias partes do Brasil, sucede ao furor experimental do Modernismo de 22, com suas próprias experiências na linguagem poética, de acentuada preocupação com o rigor formal e com a metalinguagem - a poesia que fala da poesia. A recusa, por exemplo, aos poemas piadas, aos versos livres, é, de certo modo, o denominador comum dessa geração, assim batizada, por Domingos Carvalho da Silva, em 1948.

Em Pernambuco, a produção poética local apresenta, também, uma temática de caráter neo-regionalista.

Situam-se, neste contexto, Mauro Mota, Carlos Moreira e Edson Regis. O alagoano Geraldino Brasil lança seu primeiro livro de poemas em 1948. Na trajetória pernambucana de sua poesia, prende-se pouco ao rigor formalístico e imprime em seus versos o tom coloquial do espetáculo da vida. Deolindo Tavares faz poesia ainda nos anos 30, mas sua obra só é publicada postumamente em 45.

Por critério cronológico, alguns ensaístas acrescentam o nome de João Cabral de Melo Neto, no entanto, sua poesia vai além dos padrões dessa geração. Considerado um dos maiores poetas da língua portuguesa, Cabral ultrapassa as fronteiras de Pernambuco e do Brasil.

Solano Trindade (Recife 1908 - Rio 1974)

Civilização branca

Lincharam um homem
entre os arranha-céus
(li num jornal)
procurei o crime do homem
o crime não estava no homem
estava na cor de sua epiderme.

(in Cantares ao meu povo)

A poesia de Solano Trindade vai do humanismo socialista à defesa dos valores afrobrasileiros, atingindo a universalidade pelo vigor da linguagem poética.

Além de Gerações

Grupo de poetas com estréia a partir dos anos 50, como é o caso de Carlos Pena Filho, Edmir Domingues e Audálio Alves.

Como divisor de águas entre essa geração e a dos poetas que irão compor a geração 65, situaríamos a poesia de César Leal, poeta e ensaísta. Segundo o crítico Eduardo Portela sobre a produção poética César Leal: o trabalho encantado da linguagem é das construções mais convincentes da nossa literatura contemporânea.

Francisco Bandeira de Mello, também, inicia nos anos 50 a sua produção poética, com destaque para os seus sonetos líricos. No início de 60, surge a poesia de Sebastião Uchoa Leite que se notabiliza, ainda, como ensaísta e, apesar de sua permanência longe do Recife, deixa, após sua morte, um vazio intelectual na cidade.

Vertiginosamente azul
Carlos Pena Filho

Poeta dos mais queridos nesta cidade "metade roubada ao mar, / metade à imaginação," onde nasceu em 1929 e morreu em 1960. O lirismo dos seus sonetos permanece na memória dos antigos e novos freqüentadores, ou não, do Bar Savoy pois é lá que

o refrão é sempre assim:
são trinta copos de chope,
são trinta homens sentados
trezentos desejos presos
trinta mil sonhos frustrados.

GERAÇÃO 65

Múltiplas margens

Tadeu Rocha foi quem a denominou. O grupo é numeroso. Seus poetas ainda estão atuantes, daí a ambigüidade de se classificar artistas por geração. Muitos começos. Todos em torno de 1965. O crítico literário César Leal lança no Suplemento Literário do Diario de Pernambuco e na revista Estudos Universitários os primeiros nomes desta geração: Jaci Bezerra, Alberto Cunha Melo e Domingos Alexandre. Esman Dias, Everardo Norões e Orley Mesquita publicam seus poemas na Clave - caderno de poesia (Tipografia Marista 1965)

Outros poetas se aglutinam. Freqüentam os bares Torre de Londres (13 de Maio) e Savoy (Guararapes) e a Livro 7. Celina de Holanda os reúne em sua casa. João Cabral é a influência maior. Pertencem, também, a essa geração: José Carlos Targino, Marcus Accioly, Arnaldo Tobias, Ângelo Monteiro, Montez Magno, Fernando Monteiro, Marco Polo, Sérgio Moacyr de Albuquerque, Tarcísio Meira César, Severino Filgueira, José Rodrigues de Paiva, Cyl Gallindo, José Mário Rodrigues, Gladstone Vieira Belo.

Incorporam-se, depois, Almir Castro Barros, Luis Carlos Duarte, Lucila Nogueira, Janice Japiassu.

ANOS 70

Movimento Armorial

Voltado para uma temática nordestina, abrangendo a literatura, a dança, a música, as artes plásticas e as artes cênicas, seu objetivo é a realização de uma arte erudita brasileira. O poeta e dramaturgo Ariano Suassuna foi o criador do Movimento.

Pertenceram ao movimento os poetas Ângelo Monteiro, Deborah Brennand e Janice Japiassu.

A palavra da mulher

O final do século XIX já revelava uma atuação de poetisas pernambucanas escrevendo em jornais e revistas literárias que circulavam entre mulheres de todo o Brasil. Ao contrário dos jornais masculinos que as associavam à maternidade e ao magistério, abordavam temas políticos, contra a escravidão e a favor da República e em seus poemas falavam do amor, do desejo, e da vontade de escrever. São elas:

Francisca Izidora, Thargélia Barreto de Menezes, Ana Nogueira, Maria Heráclia e Joana Tiburtina Lins.

O Recife apresenta uma marcante presença feminina na poesia contemporânea..

Em 1979, a poeta portuguesa, naturalizada pernambucana, Maria de Lourdes Hortas, reuniu em livro sob o título Palavra de mulher (poesia feminina brasileira contemporânea) poetas mulheres de todo o Brasil, destacando as de Pernambuco: Tereza Halliday, Celina de Holanda, Deborah Brennand, Maria da Paz Ribeiro Dantas, Tereza Tenório, Zila Mamede, além da própria Maria de Lourdes Hortas e Lucila Nogueira.

Acrescentaríamos a esta lista de mulheres uma nova geração de poetas: Dione Barreto, Fátima Ferreira, Vernaide Vanderlei, Andrea Borba, Miriam Brindeiro, Clara Angélica, Cida Pedrosa, Lea Lopes, Júlia Lemos e Danielle Romani, Silvana Menezes, Aline Andrade, Cecília Villanova, entre tantas outras.

Resistir era preciso

Os anos 70 dão continuidade àquela poesia da década de 60, fiel ao lirismo bandeiriano ou herdeira de Cabral.

Entretanto, uma nova postura de fazer poesia como alternativa ao lirismo comedido ou como resistência aos poderes dominantes (golpe de 64) ocorre, também, em Pernambuco, a exemplo de outros pontos do país.

Dos meados da década de 70 ao início dos anos 80, Recife e Olinda são agitados por diversas manifestações poéticas: recitais, movimentos alternativos, caminhadas poéticas. É a poesia em bares, praças e ruas.

Convive-se com uma poesia que vai do texto bem comportado à vertente dos demolidores da linguagem, como um Jomard Muniz de Britto, professor universitário, cineasta, poeta e ensaísta.
Para o crítico paraibano Hildeberto Barbosa Filho em seu ensaio sobre a Terceira Aquarela do Brasil: uma escritura tropicalista: Jomard Muniz de Britto opera em múltiplos níveis: o redimensionamento histórico (Terceira Aquarela do Brasil); a desmistificação pedagógica (educação pela marreta); o estamento cultural pelo avesso (procura-se vivo ou morto); a perquirição política do momento (PT situações) e a leitura reiterativa do Nordeste (nos abismos da pernambucália).

Ligados, ainda, a esta vertente de desconstrução / construção da linguagem estão os poetas Pedro Américo e Wilson Araújo de Souza que, em parceria publicaram o folder Pedro Américo/Wilson Araújo.

Encontramos exemplo do poeta individual, andarilho, em Juareiz Correya. À época, Juareiz costumava viajar pelo interior abrindo espaços como divulgador de sua poesia. Publicou Americanto.

Poesia Visual

Segundo depoimento de Paulo Bruscky, o poema Processo surgiu em dezembro de 1967, simultaneamente em Natal e no Rio e teve não só grande repercussão como adesão de artistas e poetas pernambucanos. No período de 1968 a 1972 integraram este movimento: José Cláudio, Ivan Maurício, Arnaldo Tobias, Paulo Bruscky, Jobson Figueiredo e Alberto Cunha Melo.

Vale ressaltar a colaboração do Caderno C do Suplemento Cultural do Jornal do Commercio dirigido inicialmente por Celso Marconi e depois por Alberto Cunha Melo, que publicaram não só poetas locais, como também textos teóricos sobre o Poema Processo.

Alguns fatos são pioneiros, como o Livro do carimbo de José Cláudio, a publicação coletiva de Metamorfome de Ivan Maurício (livro envelope) com trabalho de José Cláudio, Zezo, Daura, Humberto.

A partir de 1973, eclodem no Recife movimentos de Poesia Visual e Experimental, além da Arte Correio ou Arte Postal, sendo Paulo Bruscky iniciador deste movimento pioneiro no país. Entre os participantes mais ativos estão Jomard Muniz de Brito, Daniel Santiago, Paulo Bruscky, Silvio Hansen, Arnaldo Tobias, Wilson Araújo, Pedro Américo, Ivan Maurício, Ypiranga Filho, Tarcísio Silva, Marconi Notaro, Maurício Silva, Leonhard Frank Duch e Alexandre Nóbrega. Várias publicações foram feitas neste período: revista Punho 1973; Envelope Multipostais 1978; Revista A Gazeta 1977; Telegramarte; Envelope 1978; Revista Classificada 1979 e Marca da Fantasia 1984.

ANOS 80

A poesia independente

Em 1981, começou no Recife o Movimento dos Escritores Independentes. Caracterizou-se pela promoção de recitais de poesia nas ruas: na calçada em frente à Livro 7, no Bar Casarão, na Rua Sete de Setembro, no Beco da Fome e na Praça do Sebo. Esse tipo de poesia começou a ter peso na imprensa e na intelectualidade pelo público que atraía. Marcelo Mário de Melo, um dos participantes, nos conta que nas manhãs dos sábados toda a freguesia das Lojas Americanas (próxima à Livro 7) se deslocava para ouvir e ver os poetas.

Marcelo ressalta que nem sempre havia nessa poesia um conteúdo crítico, político ou social. Se um poeta queria apresentar o seu poema, ter seu público, integrava-se a esse grupo para tal.

Participavam os poetas: Marcelo Mário de Melo, Léa Lopes, Azimar Rocha, Don Antônio, Geni Vieira, Wilson Freire, Jane Faria, Caesar Sobreira, Eduardo Martins, Cida Pedrosa, Francisco Espinhara, Samuel Santos, Fátima Ferreira, Chico Sá, Hector Pellizi, Manoel Constantino, Fred Caminha, Lenilda Andrade, Dione Barreto, Luis Carlos Monteiro.

Recitais ainda ressoam nos eventos de hoje. Outros poetas aderem e formam novos grupos com performances nos acontecimentos da cidade.

Vem da década de 80 a atuação de dois novos poetas, revelados, também por César Leal: Weydson de Barros Leal e Mário Hélio.

Os poetas da Rua do Imperador

O grupo "Os poetas da Rua do Imperador" foi uma invenção do poeta Vital Corrêa de Araújo, reunindo poetas que transitavam ou trabalhavam por aquela rua, entre eles, Iran Gama e Edgar Powell.

ANOS 90

A lição de poesia: marginal ou acadêmica?

Fazer versos, isso se aprende em academias? Ganha o Recife a sua geração 95? Existe uma produção poética que já chega madura, respaldada em erudição e embasamento teórico? Ou a poesia anda solta nas ruas, nas praças, nos bares? tão livre quanto seus poetas marginais? O final da década traz a poesia de Alvacir Raposo com a publicação d'O discurso do rei.

O ano 2000 inicia o milênio com Eduardo Diógenes lançando o livro A Barlavento. Jairo Lima surpreende com o Livro das Árias e das horas-pequeno livro das nuvens.

Da lama ao caos

Chico Science dá o mote e o compasso aos exercícios de linguagem dos mais jovens praticantes, com direito a se legitimar na arte da poesia. O manguebeat bate forte nos ritmos, nos versos e nas letras de música.

Novo milênio

Linguagens plurais. Multimeios. Que vanguardas? Quais rupturas ou neoconservadorismos? "poesia@com.pe"? Quem navegar, neste site, verá!

Desenhando o mapa poético da cidade, a Prefeitura do Recife vem editando as coletâneas Marginal Recife, Estação Recife e Invenção Recife, que se tornaram fonte de referência ao contemplar as várias dicções de seus poetas.

O PANORAMA VISTO DOS ARRECIFES

Esta abordagem não é um dicionário. Uma rica produção poética que, por sua qualidade, projeta Pernambuco no cenário literário nacional merece uma história revisitada. Precisa de revistas, suplementos literários e outros espaços, como este site, para revelar os novos e instigar os que permanece.

Foram registrados, em poucas páginas, alguns aspectos da convivência lírica de Pernambuco com seus poetas. Eles continuam aqui onde o mar é uma montanha, e têm o sentimento do mundo. As temáticas e a ordem cronológica não fazem a poesia e sim os poetas que, por valor intrisecamente literário, reacendem a cinza das horas, falam somente com o que falam, com as mesmas vinte palavras e pintam de azul os seus sapatos por não poder de azul pintar as ruas.

Pesquisa e texto Heloísa Arcoverde de Morais

Mestra em Literatura Brasileira pela UFPB

Dissertação Escola: Poesia? Presente?

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